COMO SOBREVIVER AO MERCADO SEM O APOIO DE UMA GRAVADORA

O mercado está abrindo cada vez mais as portas para o artista independente, apesar de ser ainda bastante restrito.O fato do artista ser independente se dá por dois motivos, é independente por falta de oportunidade em uma gravadora ou porque quer ter a liberdade de comandar as decisões da própria carreira.

Muitos artistas nunca fizeram parte do cast de uma gravadora, ou hoje estão independentes e conseguem ter uma carreira produtiva, de sucesso, independência financeiro, reconhecimento profissional e um ministério sólido. Claro, isso graças a um trabalho correto, conduzido por pessoas capacitadas e sérias.

Diferente do que acontecia a anos atrás as gravadoras dificilmente investem em artistas que já não tenham alguma relevância, um trabalho conhecido ou que esteja chamando a atenção do mercado. Poucos tem a chance de mostrar novas propostas dentro do mercado, o mais do mesmo ainda é o que dá lucro, portanto, é o que é de interesse. E podemos ver que o cenário do mercado independente dá plena liberdade ao artista para compor, inovar e buscar autenticidade, de alguma forma trazendo algo novo ao público.

É necessário fazer a diferença, fugir do óbvio, fazer um trabalho de excelência para destacar-se da concorrência. Somente um trabalho de qualidade, bem produzido, bem divulgado e sério se sobressai, independente de o artista ser amparado por uma gravadora ou não.
O que quero dizer é que sua carreira tem que ser bem administrada. Ter qualidade na produção do seu CD ou DVD, critério na escolha dos seus músicos e produtores, critério rigoroso na seleção do repertório, investir em clipes bem produzidos e criativos e usar as mídias de forma responsável e como aliada.
As redes sociais hoje são aliadas poderosas na divulgação de um trabalho, e se bem usadas pode auxiliar uma carreira ser alavancada e bem sucedida.

Se o seu desejo é que uma gravadora interesse-se por seu trabalho, é preciso fazer sua parte, ter algo sólido e eficiente para apresentar ao mercado. A realidade hoje é outra, as gravadoras já não contratam artistas “cru” para investir e crescer. Hoje é necessário ter relevância para o mercado, um trabalho já eficiente e que caminhe com as próprias pernas.
Essa é a realidade do mercado fonográfico hoje, e a tendência é que mude ainda mais nos próximos anos.

Sendo um artista que faz parte de um cast de gravadora ou como artista independente seu trabalho tem que ter um diferencial, ser de qualidade e levado a sério antes por você aí então chamará a atenção de outros.

Texto publicado anteriormente no Portal Na Mídia Gospel na Coluna que assino “Raio X da Comunicação”
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O PROCESSO MUSICOTERÁPICO EM PORTADORES DE AUTISMO

As causas do quadro que leva ao Autismo ainda não é completamente conhecida, mas compreende-se como caracterização principal da síndrome: a inadequacidade de criar vínculos.
O indivíduo portador de Autismo apresenta dificuldade de interação que vão desde a franca evitação de olhar e contato físico a uma aproximação excessiva e indiscriminada das pessoas, passando por formas mais sutis em que o componente evitativo não fica evidente. O autista apresenta diferentes formas de inadequacidade vincular, ou seja, um déficit apresentado na interação social (pessoa-pessoa), na interação lúdica (pessoa-objeto) e na interação perceptual (pessoa-música).

Segundo WING(1993), o “transtorno no reconhecimento social” manifesta-se de maneiras diversas em cada caso, desde “procurarem ativamente um contato social de forma inadequada e unilateral (…) onde sua tentativa de contato é feita em função do próprio interesse, de uma idéia repetitiva e idiossincrática”, “não procurarem espontaneamente o contato social” ou, em casos mais graves, “não demonstrarem habilidade de reconhecer os outros seres humanos, tendendo ao isolamento e indiferença às pessoas e evitar ativamente o contato social ou físico com outros”.

Segundo estudos o defeito original no desenvolvimento fetal do cérebro pode ser uma das causas de anormalidades neuroquímicas e é provavelmente o responsável pela resistência do bebê a ser tocado e reconfortado, evidenciando uma incapacidade que a criança autista tem de entregar-se a estímulos táteis reconfortantes. A estimulação tátil, como carícias e abraços, pode promover um desenvolvimento mais normal, mesmo que o bebê se mostre indiferente aos carinhos. Por isso, mesmo frente à resistência ao toque, o bebê precisa ser gradualmente “treinado” a tolerá-lo, pois quanto mais viver sem experimentar o sentimento de ser reconfortado, maior é a probabilidade de que os circuitos cerebrais envolvidos no desenvolvimento de contato emocional com os outros sejam prejudicados”.

Pesquisas apontam que o trabalho com musicoterapia aplicada ao autismo pode ser uma maneira de aproximação com o autista possibilitando-lhe também a abertura de canais de comunicação. Desse modo, a musica é particularmente indicada para o portador de autismo ainda na infância, por poder ser a primeira técnica de aproximação e por promover, dessa forma a ampliação comunicativa da criança autista com seus pares.

Nesses pacientes, a música não verbalizada é decodificada no hemisfério direito do cérebro (subjetivo e emotivo). Ela se move até o centro de respostas emotivas, localizado no hipotálamo, e passa para o córtex (responsável pelos estímulos motores e do intelecto).
Os sons verbais, no entanto, não “funcionam” dessa forma porque são registrados no hemisfério esquerdo, na região cortical (analítica e lógica) diretamente do aparelho auditivo. Em resumo, no autista, a música atinge em primeiro lugar a emoção para depois passar para reações físicas, como o batucar, por exemplo, nas pessoas normais. Dessa forma, o autista consegue interagir com o terapeuta.

A metodologia utilizada no processo musicoterápico, configura dois momentos:

1º Momento – FAZER MUSICAL

Possui como objetivo principal “abrir um canal de comunicação” com a criança, quer seja através do olhar, do toque (nos instrumentos) ou da escuta (percepção dos estímulos sonoros). Neste momento também se oportuniza a possibilidade de canalizar estereotipias e/ou comportamentos inadequados, utilizando os instrumentos sonoro-musicais para re-significar ações e/ou condutas para atividades construtivas. Não se trata de inibir as estereotipias e/ou fixações, mas de canalizá-las para a auto-expressão, através dos diferentes tipos de interação. As interações podem ocorrer de diversas formas e em diversos âmbitos: interações com o instrumental, tendo o instrumento como objeto intermediário de uma relação, quer seja com o musicoterapeuta e/ou com seus pares; interação com o som/música, quer através de melodias ou ritmos conhecidos, quer através de sons novos ao seu universo sonoro, buscando oportunizar a percepção de novas fontes sonoras; interação com a atitude lúdica, tanto com o musicoterapeuta (que possibilitará a inserção dos elementos novos) como com os familiares e/ou grupo, oportunizando novos encontros e novas percepções sociais e sonoras, onde irão captar a atenção da criança e desenvolver em si mesmos a confiança e naturalidade de que necessitam para se engajarem no processo interacional.

Esta oportunidade de vinculação lúdica com o filho proporciona aos pais a possibilidade de mudarem o paradigma sobre a síndrome, bem como das especificidades de inter-relações da mesma e suas conseqüências no sistema familiar.

2º Momento – ACALANTO

Busca-se, neste momento, oportunizar as trocas afetivas mãe/pai e criança, através do toque, do afago, bem como elevar a capacidade da criança em manter a atenção concentrada na expressão sonora do musicoterapeuta possibilitando a ampliação da sua escuta ao perceber “mensagens cantadas” que expressam o momento vivido.

As atividades musicais oferecem recursos, adaptando e criando métodos facilitadores para o aprendizado. Podem ser utilizadas técnicas vocais para o canto, desenvolvimento rítmico, exercícios específicos para familiarização com a linguagem musical e com os próprios instrumentos, a partir, da produção de diferentes sons.
A música abrange não somente objetos sonoros e musicais, mas também uma variedade de outros signos. Dela emergem formas, cores, intensidades, temporalidades, gestos, movimentos, imagens, pensamentos, palavras… Assim, “o objeto da música não se restringe ao som, mas a uma cadeia sígnica que tem, entre outros, o som por motor”.
As vivências musicais estimulam a criatividade e a autoconfiança, mobilizando todo potencial de saúde mental do indivíduo com uma diversidade de opções de trabalho.

“Através da terapia com a música pode-se “trabalhar em um plano manipulatório concreto e, quando possível, partir para a abstração. A força simbólica dos instrumentos musicais, suas características lúdicas e papéis de “objeto intermediário” e “objeto integrador”, facilitariam a interação, possibilitando o surgimento de jogos e brincadeiras.” (BENENZON, 1998)
“As condições do setting musicoterpápico possibilitam, além de entrar em contato com sentimentos e emoções, acessar materiais que se encontram em nível do inconsciente, proporcionando formas de expressão e descargas. Isto conduziria a um alívio de tensões, gerando de algum modo, prazer e favorecendo o vínculo de confiança entre paciente e musicoterapeuta.” Craveiro de Sá (2003)

A vivência musicoterápica proporciona resultados significativos: ampliando a percepção do indivíduo autista em relação ao outro, tanto física como sonoramente, quando se proporciona à escuta de algo novo; a diminuição do isolamento a partir do desenvolvimento da interação através dos diversos canais de comunicação: o olhar, o toque e a escuta, com possibilidades de re-inserção social; uma elevação da afetividade estabelecendo relações vinculares fraternas (mãe/pai-criança) positivas e a re-significação de comportamentos inadequados canalizados ao fazer musical.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FLOWERS, S.E.C.S.A..- Musical sound perception in normal children and children with Down’s syndrome in GODELI,Maria Regina Conceição de Souza e GHIRELLO-PIRES, Carla Salati Almeida.- Considerações a respeito da utilização da música na Comunicação não-verbal na díade mãe-bebê, Revista integrAÇÃO. NASCIMENTO, Sandra Rocha do.- Programa ABRICOM- Abrindo os Canais de Comunicação no Autismo Infantil, Goiânia: Sociedade Pestalozzi de Goiânia,(projeto), 1999.
WING, Lorna.-O contínuo das características autísticas in GAUDERER, E.Christian.-Autismo e outros atrasos do Desenvolvimento: uma atualização para os que atuam naárea: do especialista aos pais (Trad. Angela Moura, Linda Lemos), Brasília: CORDE, 1993.
Maiara Aparecida Bertoluchi, pedagoga do CEDAP, Centro de Estudos e Desenvolvimento do Autismo e Patologias, Brasil
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