DESENVOLVIMENTO COGNITIVO MUSICAL

O interesse pelo estudo do desenvolvimento cognitivo musical tem crescido substancialmente nos últimos anos.
Desde que nascemos estamos predispostos aos sons, vocalizações e melodias, nosso primeiro universo de linguagem, por essa razão o contato precoce com a música é capaz de favorecer positivamente o desenvolvimento das habilidades cognitivas, linguisticas e motoras, além de ser facilitadora do processo de aprendizagem.

Descobertas recentes da neurociência, psicobiologia, psicologia do desenvolvimento, educação e psicologia, a música vêm fomentando um interesse crescente acerca do desenvolvimento cognitivo-musical do ser humano.
A música estimula um vasto conjunto de competências – físico, mental e psicológico –, e promove não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também afetivo e social.

Para aprender a falar as criancas analisam estatisticamente a repetitividade dos sons, desenvolvendo, ainda antes de conhecer os vocábulos singulares, a capacidade de individualizá-los no fluxo da fala, uma capacidade que entra em jogo também no reconhecimento de um trecho musical
Durante a infância, o cérebro humano é mais maleável e os efeitos da aprendizagem são maiores que em qualquer outra fase da vida (Flohr, Miller & Deebus, 2000). Isso também parece ser o caso do desenvolvimento auditivo.
Sabe-se hoje que é no período entre o nascimento e o décimo aniversário que as distinções entre alturas, timbres e intensidades se desenvolvem e se tornam mais refinadas (Werner; Vandenbos, 1993).

Desde a mais tenra idade a crianca apresenta uma predisposicão `a música, como se fossem biologicamente preparadas para apreciá-la, mesmo que prefiram a consonância `as dissonâncias. E´ sabido que desde muito pequenas, as crianças analisam os sons de modo similar a quem possui o assim chamado “ouvido absoluto”, ou seja, a capacidade de reconhecer uma nota singular, capacidade que progressivamente perdemos e com a qual, na idade adulta, podem contar somente alguns músicos
Estudos mostram que com cerca de 5 anos a crianca podem desenvolver o “ouvido relativo”, que permite reconhecer o intervalo entre duas notas. Por volta dos 8 anos as crianças se encontram em condições de aprender elementos musicais mais sofisticados, como a harmonia.
É na infância que desenvolvemos as preferências e memórias musicais (veja Ilari & Polka, no prelo; Trainor, 1996; Trehub & Schellenberg, 1995). O desenvolvimento cognitivo-musical nesta época ocorre através de processos como impregnação e imitação (Ilari & Majlis, 2002), e está normalmente associado a diversas funções psico-sociais.

Estabelecer relações entre música e o estímulo da capacidade cognitiva tem sido um grande desafio para os pesquisadores.
Estudos com musicoterapia em unidades neonatais partem da hipótese que o contato precoce de bebês com a música pode favorecer o desenvolvimento mental e físico. Em prematuros, estudos demonstram melhora na saturação de oxigênio, na regulacão da temperatura e na evolução motora.

Há pesquisas direcionadas a explorar a relação entre musicalidade e aquisição de linguagem falada e escrita, estudo que investigam também a capacidade auditiva do feto, sua receptividade ao estímulo sonoro e seus benefícios para a vida pré e pós natal. Entre os resultados já descobertos por esses diversos estudos está o aumento da concentração, ganho de peso, maior resistência `a dor e aumento da capacidade de confortar-se.

No período da alfabetização a criança beneficia-se do ensino da linguagem musical quando as atividades propostas contribuem para o desenvolvimento da coordenação viso motora, da imitação de sons e gestos, da atenção e percepção, da memorização, do raciocínio, da inteligência, da linguagem e da expressão corporal.?Essas funções psiconeurológicas envolvem aspectos psicológicos e cognitivos, que constituem as diversas maneiras de adquirir conhecimentos, ou seja, são as operações mentais que usamos para aprender, para raciocinar.

Vemos assim que é muito oportuno oferecer opções musicais variadas e estimulantes, no entanto, é importante dar `a audicão musical um tempo e um espaço bem definidos, evitando imergir a criança num processo que em vez de trazer prazer o estímulo musical cause a sensação de obrigatoriedade.

“A música é uma sucessão e combinação de tons, organizados de tal forma que deixam uma impressão agradável no ouvido, e a sua impressão na inteligência é compreensível… Estas impressões têm o poder de influenciar partes ocultas da nossa alma e das nossas feras sentimentais”. Schoenberg

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